Modernices que de nada servem para os idosos

Aliás, confina-os quando a família não tem paciência para aturá-los!

15
Fev 07

_Laurarosto_esq.jpgNunca, ao domingo!

Quantas de nós gostaríamos que chegasse um domingo assim?
Paz e sossego no domingo!
Isso é que era bom!
Quando não vêm os filhos encrencar com pedidos, e achando que a gente é que não entende nada se dizemos não... quando estamos em desacordo com ideias malucas, do alto dos nossos 50/60/70 anos (?)...
Quando se quebra a rotina de tratar da casa no silêncio interrompido pelo ladrar do cão, o miar do gato ou os pássaros no jardim? Ao domingo!
Tem dois melros que vêm todos os dias dar os bons dias e cantar para mim... em biquinhos de patas!!!!!!!!!!!!
Tem verdilhões pousados no chorão que me miram espantados quando, imóvel, na janela os aprecio. Depois, seguem a sua vidinha aos saltinhos, de ramo em ramo, achando que sou inofensiva! Mas não ao domingo!
Ao domingo estão espavoridos com o desassossego; fogem para as árvores do vizinho que saiu com a família a passeio e almoça fora!

Ter a minha cabeça repousada e pronta para fazer tudo num dia só!? Ná!!!!!!!!! Ao meu ritmo, sim!

Ah! Como a solidão e a idade podem ser benéficas, se bem aproveitadas!
E como as idades mais avançadas poderiam desfrutar dela... se não enveredassem pelo caminho de incomodar a família e o mundo todo para vir acompanhá-los, passar o dia com eles!
A cada um a sua vida no seu tempo! A deles e a nossa!
Convenhamos que temos diferentes anseios!

É tempo de ficarmos sós connosco! Difícil? Não! É uma questão de prática!
Pratiquemos a n/própria companhia! Falemos connosco e vejamos quais as respostas!
Façamos o que fizermos, sejamos bons ou maus, agradáveis ou não, a realidade é que única pessoa que, haja o que houver, sempre nos acompanhará e estará do n/lado, somos nós mesmos.
Precisamos apreciar a n/própria companhia! Afinal… a única pessoa que nos atura a tempo inteiro e que sempre vemos no espelho… somos nós próprios!

É tempo de fazermos o que gostamos e, para isso, já temos tempo disponível. Saibamos aproveitá-lo!
Quero fazer o almoço só para mim; aproveito fazer um pouco mais para amanhã também!  rsssss
O jantar? Sem problemas: um pouco de sopa, uma peça de fruta  - et voilà!
Quero terminar este trabalho sem olhar para o relógio: são horas de ir fazer o jantar, de chegar o, a... sei lá quem mais? De passar a roupa, de lavar os pratos!...
Não! Agora não, porque vou terminar isto sem que alguém me incomode e sem ver as horas.
A TV fechada (as noticias são imprestáveis e deixam-me o coração descompassado, negro de tristeza pelo mundo moderno).
O rádio fechado também, talvez só um disco calmo, lento, duma música antiga... das que eu tanto gosto! (eu gosto, mas já ninguém gosta - só eu e os da minha geração!

As raras visitas dos familiares e amigos servirão, então, para podermos apreciá-las na devida conta e momento oportuno. Tudo no seu tempo próprio: «conta, peso, medida»!
Quando os filhos, netos e amigos desandam... a cabeça dorida pela confusão, e até um certo cansaço... a loiça suja no lava-loiça, um pouco de desarrumação fora do habitual... quero deitar na minha cama, sozinha; ler um pouco e adormecer em paz comigo, e com a vida.
Talvez, antes, monologar um pouco com Deus: pedir que a mudança de estação seja benigna, porque os meus ossos são um barómetro demasiado exacto.
Agradecer por mais um dia de vida e pedir... sim, pedir com veemência que se a minha hora estiver prestes a chegar, então que seja dormindo.
Posso até brincar com Deus. Contar a piada do homem que sempre pedia isso mesmo e, um dia: quando acordou estava morto!
Assim eu gostaria, também, de não ter problemas, não os causar aos familiares nem ficar na dependência de ninguém!

O tempo de ruídos, vozes e barafunda passou, Graças a Deus! Agora, só eu e Deus!
Assim fosse!
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(qualquer data serve)
Laura B. Martins

NOTA:
Uma amiga respondeu-me o seguinte:
Vc faz lembrar minha valente mãe, que deixou bem claro:
“Vamos decidir agora se vocês me visitam por amor ou por interesses próprios.
Se for por amor, por favor venham depois do almoço, de barriga bem cheia, pra não me dar trabalho à toa."
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Ana Suzuki

publicado por LauraBM às 21:44 
publicado por LauraBM às 21:44
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comentário:
Caríssima Laura,
Afinal chegou o dia desta visita. Vim trazida por este artigo delicioso que li sem querer que terminasse. Concordo com tudo que disse, convicta de que os preceitos que defende estão entre as regras de ouro para uma vida madura saudável, rica de recursos para levar até o fim o peso dos anos com a leveza de uma pluma. Assim, carregamos pouca carga e aos nossos deixamos suave lembrança.
Parabéns, Laura, foi uma alegria esta visita que me enterneceu o coração. Bem hajas! Sylvia
Sylvia Cohin a 4 de Fevereiro de 2008 às 19:43

R O D A P É

Sempre fica a fragrância na mão daquele que oferece uma rosa.

FRASES:

Chegou aquele momento da vida em que você já sabe:

quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre.

*Antiguidades óptimas
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