Modernices que de nada servem para os idosos

Aliás, confina-os quando a família não tem paciência para aturá-los!

10
Fev 11

Estou velha!
Acharam que não sirvo para mais.
Puseram-me de parte; junto aos tais
que formam a fila dos reformados, 
e velhos enjeitados, mal amados.
 
Que velhos?
Sempre temos alguma serventia!
O trapo a utilizar no dia a dia,
durou e foi bonito, enquanto novo.
Hoje, ao rever-me nele, me comovo.
 
Atelier de pintor, ou oficina,
todos lhe dão valor; ele termina
os seus dias nas mãos do grande mestre.
Aquele velho trapo-desperdício,
ainda traz a todos, benefício.

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28/11/2002
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958
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10
Fev 10

mulher_jovemvelha.jpgEstar sozinha, nunca mais!
Abri portas, vi portais
e, afastei-me, na procura.

Fui andando, devagar,
na procura dum lugar
e companhia segura.

Saí. Olhei tantos rostos
que só me deram desgostos.
Trouxe, nas mãos, amargura.

Depois, desencorajada,
vi-me ao espelho desenhada,
tal e qual caricatura.

Perdido o viço da pele.
não tinha encontrado «aquele»,
Restava a minha figura.

Hoje percebo, bem triste,
que nada, ninguém resiste.
Estou só co'a minha loucura!
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20/04/2004
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

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10
Fev 09

casal_anoitecer.jpgOs jovens no seu viver e maneira de falar,
pensam, falam em morrer; mas, fazem-no sem pensar.

Na meia idade se fala, na morte, com mais cuidado.
Julgamos ultrapassá-la... que a morte, nos passa ao lado.

Mas, na idade do ouro, talvez pra lá dos sessenta,
viver já é um tesouro; e a morte nos apoquenta.

Fomos loucos, levianos; sorrimos, rememoramos.
Queremos viver mais anos. Já faltam poucos... pensamos.

A contagem decrescente instala-se, sem querermos.
Inconsciente, na mente, o desejo de vivermos.

Ah! Juventude incapaz! Quanto bem desperdiçado.
Pudesse eu voltar atrás... Fazer do futuro... passado!

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17/02/2002
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958

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10
Jul 08

mulheridosa_regar.jpgSó abandona os seus idosos quem não os ama.
Para muitos a velhice é um fardo pesado, os familiares não têm paciência e, principalmente, amor para com o idoso que está ao seu lado.
São sempre reclamações e insatisfações, às vezes até mesmo agressão.
Mas você parou para pensar em como o idoso se sente?
São os seus movimentos que vão ficando lentos, ele não consegue correr, na maioria das vezes o seu caminhar é difícil, ele não pode ir aonde seus pés gostariam. É nesse momento que ele precisaria que outros andassem por ele e, assim, poderia ir e vir para onde quisesse.
Os seus ouvidos não conseguem ouvir como antes e aqueles que o rodeiam não têm a paciência de falar pausadamente, mais alto ou mesmo repetir.
Ele gostaria muito de ouvir o que vocês falam, de saber o que está acontecendo tanto com vocês quanto com o mundo, pois continua sendo gente que pensa e sonha.
A sua voz, agora cansada pelos anos, quer falar de um tempo que se perdeu, que está distante, falar de experiências, lembranças, solidão, de falta de carinho, de amor.
Dar conselho ou simplesmente falar e ter alguém para ouvir. Mas aqueles que o rodeiam não têm tempo, paciência de ouvir, pois os tempos são outros e de nada serviria a conversa com um velho.
É a era do computador, da tecnologia,  as coisas andam rápidas demais, não há tempo a perder.
E os cabelos foram sendo tingidos de branco, pelo tempo.
Cuide dos seus velhinhos porque um dia nós também vamos precisar de cuidados.
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Laura B. Martins

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10
Fev 08

maos_enquadradas.jpgPrometer, ao idoso, uma visita e não cumprir, nunca deve ser feito;
porque ele já não dorme, só dormita, e conta as horas, os minutos, satisfeito.

O idoso, na data, não se esquece. Espera d'olhos inquietos, ansioso;
achando-se querido, acontece, na solidão dos outros ser vaidoso.

Aguarda o idoso que o visitem, inconstante, nervoso e distraído.
Quero que pensem nisto e acreditem: se lhe faltam, julga-se já esquecido.

E fala, o idoso, uma semana, das promessas que ouviu e registou.
Não sabem, quando falham: desumana é a dor que mais um pouco o matou.

Parecerá, ao filho ajuizado, que em colmatar de vida, tão espinhudo,
num lar está o idoso bem cuidado porque não falta nada... E falta tudo!

Faz contas ao passado e ao presente; sobre o futuro só se desincentivou.
Fala o idoso, apenas, do antigamente: tudo aquilo que fez, de quanto amou.

Idosos!... São o espelho duma vida que a mim pareceu longa, quando nova.
Após a meia idade, convencida que a sociedade, idosos, não aprova.

Idosos, ao ataque, com ardor! Unidos, venceremos esta luta!
Da família, queremos muito amor! Não merecemos ser ‘os filhos da disputa'!
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10/04/2003
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

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15
Fev 07

_Laurarosto_esq.jpgNunca, ao domingo!

Quantas de nós gostaríamos que chegasse um domingo assim?
Paz e sossego no domingo!
Isso é que era bom!
Quando não vêm os filhos encrencar com pedidos, e achando que a gente é que não entende nada se dizemos não... quando estamos em desacordo com ideias malucas, do alto dos nossos 50/60/70 anos (?)...
Quando se quebra a rotina de tratar da casa no silêncio interrompido pelo ladrar do cão, o miar do gato ou os pássaros no jardim? Ao domingo!
Tem dois melros que vêm todos os dias dar os bons dias e cantar para mim... em biquinhos de patas!!!!!!!!!!!!
Tem verdilhões pousados no chorão que me miram espantados quando, imóvel, na janela os aprecio. Depois, seguem a sua vidinha aos saltinhos, de ramo em ramo, achando que sou inofensiva! Mas não ao domingo!
Ao domingo estão espavoridos com o desassossego; fogem para as árvores do vizinho que saiu com a família a passeio e almoça fora!

Ter a minha cabeça repousada e pronta para fazer tudo num dia só!? Ná!!!!!!!!! Ao meu ritmo, sim!

Ah! Como a solidão e a idade podem ser benéficas, se bem aproveitadas!
E como as idades mais avançadas poderiam desfrutar dela... se não enveredassem pelo caminho de incomodar a família e o mundo todo para vir acompanhá-los, passar o dia com eles!
A cada um a sua vida no seu tempo! A deles e a nossa!
Convenhamos que temos diferentes anseios!

É tempo de ficarmos sós connosco! Difícil? Não! É uma questão de prática!
Pratiquemos a n/própria companhia! Falemos connosco e vejamos quais as respostas!
Façamos o que fizermos, sejamos bons ou maus, agradáveis ou não, a realidade é que única pessoa que, haja o que houver, sempre nos acompanhará e estará do n/lado, somos nós mesmos.
Precisamos apreciar a n/própria companhia! Afinal… a única pessoa que nos atura a tempo inteiro e que sempre vemos no espelho… somos nós próprios!

É tempo de fazermos o que gostamos e, para isso, já temos tempo disponível. Saibamos aproveitá-lo!
Quero fazer o almoço só para mim; aproveito fazer um pouco mais para amanhã também!  rsssss
O jantar? Sem problemas: um pouco de sopa, uma peça de fruta  - et voilà!
Quero terminar este trabalho sem olhar para o relógio: são horas de ir fazer o jantar, de chegar o, a... sei lá quem mais? De passar a roupa, de lavar os pratos!...
Não! Agora não, porque vou terminar isto sem que alguém me incomode e sem ver as horas.
A TV fechada (as noticias são imprestáveis e deixam-me o coração descompassado, negro de tristeza pelo mundo moderno).
O rádio fechado também, talvez só um disco calmo, lento, duma música antiga... das que eu tanto gosto! (eu gosto, mas já ninguém gosta - só eu e os da minha geração!

As raras visitas dos familiares e amigos servirão, então, para podermos apreciá-las na devida conta e momento oportuno. Tudo no seu tempo próprio: «conta, peso, medida»!
Quando os filhos, netos e amigos desandam... a cabeça dorida pela confusão, e até um certo cansaço... a loiça suja no lava-loiça, um pouco de desarrumação fora do habitual... quero deitar na minha cama, sozinha; ler um pouco e adormecer em paz comigo, e com a vida.
Talvez, antes, monologar um pouco com Deus: pedir que a mudança de estação seja benigna, porque os meus ossos são um barómetro demasiado exacto.
Agradecer por mais um dia de vida e pedir... sim, pedir com veemência que se a minha hora estiver prestes a chegar, então que seja dormindo.
Posso até brincar com Deus. Contar a piada do homem que sempre pedia isso mesmo e, um dia: quando acordou estava morto!
Assim eu gostaria, também, de não ter problemas, não os causar aos familiares nem ficar na dependência de ninguém!

O tempo de ruídos, vozes e barafunda passou, Graças a Deus! Agora, só eu e Deus!
Assim fosse!
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(qualquer data serve)
Laura B. Martins

NOTA:
Uma amiga respondeu-me o seguinte:
Vc faz lembrar minha valente mãe, que deixou bem claro:
“Vamos decidir agora se vocês me visitam por amor ou por interesses próprios.
Se for por amor, por favor venham depois do almoço, de barriga bem cheia, pra não me dar trabalho à toa."
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Ana Suzuki

publicado por LauraBM às 21:44 
publicado por LauraBM às 21:44
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10
Fev 07

casal_jornaltricot.jpg(Envelhecemos como vivemos)

A idade refina o ser humano;
define, exagerando, o intelecto.
Quem era extrovertido, espalha brasas...
não passará decerto, a ser discreto.

Aqueles que, durante a vida toda,
viveram inactivos, preguiçosos...
é certo na velhice se encolherem;
e ficarem parados, ociosos.

Outros, de tão nervosos fura-vidas,
que trabalharam duro a vida inteira...
não envelhecem quietos; mesmo que
um acidente os amarre a uma cadeira.

Ainda há uns outros que pensavam
ser a vida sem regras, ilusões,
e a culpam. Não encontram que fazer...
envelhecendo absortos e podões.

Quem sempre achou um modo de viver
enquanto, distraído, produzia...
decerto, vai ter um envelhecer
a trabalhar; fazendo o que fazia.
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5/2004
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 21:33
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10
Fev 06

EmiliaBasilio.jpgHomenagem póstuma

Contam-se, anos de vida atribulada,
nos teus cabelos brancos, avozinha.
Felizes netos, a quem não falta nada.
Sou uma pobre neta, sem a minha.

Ouvi a tua história, encantada.
Sussurradas palavras, numa voz
suave de quem, na poltrona, sentada,
ainda roga a Deus por todos nós.

Anquilosadas mãos, correm o terço,
e aperfeiçoam a bainha rendada
dum paninho de loiça. Desde o berço,
jamais souberam estar sem fazer nada.

Tentei escrever a história duma vida;
pormenores ouvidos quando, atenta,
junto a ti me sentei. Da tua lida,
recordações da memória um pouco lenta.

Talvez, mais tarde, escreva o que entendeste
contar-me, um belo dia, à tardinha.
E faça jus, como tu, ao que aprendeste
quase em 90 anos, avozinha.
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22/05/2003
Laura B. Martins
Soc. Port. Autores n.º 20958

publicado por LauraBM às 19:11
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R O D A P É

Sempre fica a fragrância na mão daquele que oferece uma rosa.

FRASES:

Chegou aquele momento da vida em que você já sabe:

quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre.

*Antiguidades óptimas
A sair do forno
Olá somos de uma agência de viagem de Aracaju Serg...
Boa noite! Como vai de saúde? Passei por aqui e ve...
Saiba sobre os benefícios do cálcio e do potássio ...
Tal e qual como eu, sem tirar nem pôr.Só quando as...
Parabéns pelo blog, de uma leveza e bom humor incr...
E o video é exemplo disso!Bj
GOSTEI IMENSO. PARABÉNS
É só uma gracinha mas, na realidade, os idosos por...
Mais badalados
*Algo mais sobre mim
*Meter o nariz no blog
 
* SELOS