Modernices que de nada servem para os idosos

Aliás, confina-os quando a família não tem paciência para aturá-los!

13
Jul 11

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os
móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
publicado por LauraBM às 23:21
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10
Jul 10

Eu era o Lucianinho. Tinha oito ou dez anos. Em pé, na cozinha, com os olhos esbugalhados, assistia Dona Dora que lidava com um prato de louça sobre a pia.
No centro do prato, um pouco de água e azeite. Dona Dora ia rezando baixinho enquanto cortava a gota de azeite em duas, depois em quatro partes... E fazia um sinal da cruz com a faca em frente à minha testa, enquanto murmurava algo que jamais entendi. A mãe de minha mãe, minha Vó Dora, estava me benzendo. Dizia que estava tirando um quebranto, um mau olhado...

Essa é a imagem mais forte que tenho de minha Vó Dora, além do bombom Sonho de Valsa que sempre me esperava e do jeitinho de conversar como se estivesse me chamando pra confidenciar num cantinho...
Dora é a redução carinhosa que a família fez de seu nome: Adoração. Fala a verdade, quantos podem se gabar de ter uma avó chamada "Adoração"? Adoração era esposa do Duarte.

Quem lê meus textos há mais tempo, conheceu o Seu Duarte, meu avô, que faleceu em novembro de 2004, aos 101 anos, deixando Dona Dora, que tinha 94 anos, viúva. Dois anos antes eles comemoraram 75 anos de casados. Quando Seu Duarte morreu, escrevi um texto chamado "Um Passarinho" onde eu dizia: "Ao lado dele, inseparável, a Vó Dora, com seus 94 anos e 77 de casamento, atendendo cada vez que ele perguntava pela ´Dorinha´, sua adoração. O Vô se foi, Dorinha ficou.

Vê-la sozinha é difícil. Falta um pedaço."
Fred Astaire e Ginger Rogers. O Gordo e o Magro. Pelé e Coutinho. Jambo e Ruivão. Batman e Robin. Arrelia e Pimentinha. Tom e Vinicius. Sá e Guarabyra... Tive muitas duplas como referência em minha vida. Mas Dona Dora e Seu Duarte, ao lado de meu pai e minha mãe, foram a principal. Dos dois recebi todo tipo de influência positiva. E um conceito de "família" como não existe mais. Os primeiros quarenta e oito Natais de minha vida, passei ao lado deles. E quando a dupla se desfez em 2004, aqueles Natais mágicos acabaram. Dona Dora ficou triste, perdeu o gosto pela vida...

Pois domingo passado a Vó Dora foi encontrar o Seu Duarte. Quando minha mãe ligou comunicando que ela falecera, já esperávamos. Ela estava adoentada. Fui para Bauru, para as homenagens finais e o enterro. No velório uma surpresa. Em meio às flores do caixão, com um semblante incrivelmente tranqüilo, Vó Dora esboçava um leve sorriso. Aquela expressão de paz serviu para atenuar muito a dor de todos os presentes. E eu sabia pra quem era aquele sorriso. Era pro Seu Duarte...

O Vô e a Vó eram tão especiais que até na morte arrumaram um jeito de não atrapalhar. Vô Duarte se foi numa sexta. Vó Dora num domingo.
Ali ao lado do caixão, permaneci imaginando Dona Dora chegando ao céu e sendo recebida pelo Seu Duarte, num longo e saudoso abraço. A dupla que conheci por 48 anos, estava reunida de novo. Infelizmente longe de nós. Mas perto, pertinho de nós. Como diria o poeta, eles agora moram num ranchinho no meu coração.
To querendo encerrar este texto da mesma forma que encerrei o texto do Vô Duarte em 2004... Posso? Obrigado...

Por 50 anos tive aquele casal como uma referência, um norte. Reflito muito sobre o que sinto por meus avós. E quanto mais penso, mais certo fico: res-pei-to. Nunca conheci alguém tão respeitável como o Vô Duarte e a Vó Dora. E dentre os atributos positivos dos homens, respeito é justamente o mais ameaçado de extinção. O respeito que sinto não é pela autoridade, pelo cargo, pelo poder. É o respeito pelo exemplo, pela humildade, honestidade e caráter. Quantas pessoas verdadeiramente respeitáveis assim você conhece, hein?

Sou um privilegiado. No meio dos anti-heróis da modernidade, dos modelos de sucesso raso, das celebridades vazias, da falta de caráter, dos aproveitadores, dos hipócritas, tive pertinho de mim e de meus filhos um modelo de gente como não se faz mais.
E aí, Lucianinho, quer dizer alguma coisa?
- Obrigado, Vó. Pra mim a senhora é eterna. "Qui nem" o Vô...
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Este artigo é de autoria de Luciano Pires
(www.lucianopires.com.br)
e está liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e não haja alteração em seu conteúdo.

publicado por LauraBM às 01:31
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10
Jul 09

avo2gatos.JPGHoje, pela manhã, exactamente como um raio de sol, você entrou em meu quarto.
Seu "olá" teve o som de uma sinfonia imortal para os meus ouvidos.
Esperei que você se aproximasse de mim, porque minhas pernas já não são tão firmes e tenho dificuldades em me manter em pé.
Você ficou à distância. Reclamou do cheiro de mofo e abriu amplamente a janela.
Fiquei feliz porque sempre dependo de que alguém chegue e faça isso por mim.
Amo os dias de sol. Eles me recordam os dias felizes em que a memória não me traía tanto e eu podia me sentir útil, realizando pequenas tarefas no lar.
Com a voz fraca, tentei conversar. Mas acho que você deve estar com muitos problemas, porque traz a face enrugada e parece muito contrariado.
Suas respostas foram curtas e secas e resolvi me calar, respeitando as suas preocupações.

Foi aí que você abriu a minha gaveta, aquela pequena da minha cómoda. "Quanto lixo!", foi o que você disse.
Meu coração começou a saltar. Você estava mexendo no meu tesouro. Alegrei-me porque agora, pensei, poderia lhe falar do significado de cada uma daquelas pequenas jóias.
A foto amarelada de seu avô e eu. Foi tirada durante nossa lua de mel. É em preto e branco. Mas eu recordo que o cravo na lapela do seu avô era vermelho e o meu vestido era estampado com flores miúdas coloridas.
"Mas, o que você está fazendo? Não revire deste jeito as coisas da gaveta. Você poderá amassar a fita azul que eu usava nos meus longos cabelos. Ou então o papel de bombom que está aí. São tantas preciosidades.
Não, não é lixo! É minha vida. Não jogue fora."
Como não tenho com quem trocar idéias, nem quem me ajude a relembrar os dias vividos, que teimam em escapar da memória, sirvo-me dessas coisas antigas para avivar as recordações.
Elas são o diário da minha vida. A flor seca me foi dada por sua mãe, em criança, num feliz dia do meu aniversário. Ela perdeu o viço, o perfume, mas encerra lembranças dos dias venturosos em que aguardava as crianças virem da escola, esperava meu eterno noivo retornar da fábrica.

Você estabelece o horário para eu comer, dormir, acordar. Não posso ter vontades, nem desejos atendidos.
Os meus sonhos, as minhas melhores realizações estão encerradas nesta gaveta. Os objectos que guardo me ajudam a lembrar que eu existo.
Não jogue fora minha identidade. Ela é feita de todas essas pequenas coisas que você chama de lixo e eu chamo "Meu tesouro."
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Redacção do Momento Espírita
Em 27.12.2007

publicado por LauraBM às 21:28
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10
Jul 08

mulheridosa_regar.jpgSó abandona os seus idosos quem não os ama.
Para muitos a velhice é um fardo pesado, os familiares não têm paciência e, principalmente, amor para com o idoso que está ao seu lado.
São sempre reclamações e insatisfações, às vezes até mesmo agressão.
Mas você parou para pensar em como o idoso se sente?
São os seus movimentos que vão ficando lentos, ele não consegue correr, na maioria das vezes o seu caminhar é difícil, ele não pode ir aonde seus pés gostariam. É nesse momento que ele precisaria que outros andassem por ele e, assim, poderia ir e vir para onde quisesse.
Os seus ouvidos não conseguem ouvir como antes e aqueles que o rodeiam não têm a paciência de falar pausadamente, mais alto ou mesmo repetir.
Ele gostaria muito de ouvir o que vocês falam, de saber o que está acontecendo tanto com vocês quanto com o mundo, pois continua sendo gente que pensa e sonha.
A sua voz, agora cansada pelos anos, quer falar de um tempo que se perdeu, que está distante, falar de experiências, lembranças, solidão, de falta de carinho, de amor.
Dar conselho ou simplesmente falar e ter alguém para ouvir. Mas aqueles que o rodeiam não têm tempo, paciência de ouvir, pois os tempos são outros e de nada serviria a conversa com um velho.
É a era do computador, da tecnologia,  as coisas andam rápidas demais, não há tempo a perder.
E os cabelos foram sendo tingidos de branco, pelo tempo.
Cuide dos seus velhinhos porque um dia nós também vamos precisar de cuidados.
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Laura B. Martins

publicado por LauraBM às 00:03
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09
Jul 07

IDOSOS DA ASSSOCIAÇÃO ALIANÇA DOS CEGOS
com sede na Rua 24 de Maio, nº 47 - RJ (prox.estação de São Fco Xavier)
Tel: 2502-4632 / 2273-3052, estão passando por uma situação bem precária.

Meus amigos/as
Estou reencaminhando para todos os endereços, este apelo.
Infelizmente ainda acontece, com os nossos velhinhos de hoje, viverem abandonados por aqueles, a quem um dia deram o ser, passaram necessidades, derramaram lágrimas, suaram para auferir o alimento, para que nada faltasse ao seu filhinho/a, e hoje vêm-se abandonados...
Jogado fora sem amor, será o seu resgate cármico, mas ai daqueles que fazem seus pais velhinhos sofrerem desta maneira. Pobres espíritos!!!
E como eu AMO esta gente velhinha...Ontem dia de Sto António, peguei o meu veiculo, mais 9 elementos do meu Grupo Coral, fomos cantar voluntariamente para os velhinhos de um lar de idosos. Chegamos de surpresa, eis que foi uma tarde deliciosa...
Vi os seus olhitos sofredores, se alegrarem, chorarem de emoção.
Cantaram, contaram anedotas (piadinhas).
Beijei, beijei muito seus rostos doloridos. Pedem sempre para voltar.
Estou emocionada vivendo as suas angústias.
Como pode o mundo viver feliz, quando nos desligamos abandonando,
a nossa família, os filhos do nosso Pai/ Mãe/ Criador!?
Obrigada a todos que leram estes testemunhos, não deletando, sem passarem aos vossos contactos, para ajuda a estes irmãos necessitados e carentes.
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15/06/2007
Suzette Duarte
" Quem semeia amor...recebe luz"
==============================
Bom dia amigos!
E aí? Você acha que o vermelho combina com o lilás?
Lindo amanhecer! Cheio de Luz, não é verdade?
Que bom que nós podemos enxergar a Natureza e tudo de maravilhoso que o Pai nos oferece...
Meus irmãos, eles, os cegos, não podem! Mas você, nós podemos ajudar, mesmo que seja apenas repassando esta mensagem. Alguém certamente estará aguardando uma oportunidade dessas para ajudar.
Faça isso, repasse este e-mail e Deus te abençoará por esse acto de amor!
Projeto 1868
==============================
Caros amigos e amigas,
Por favor divulguem esse texto:
Os IDOSOS da Associação Aliança dos Cegos,
com sede na Rua 24 de Maio, número 47 (prox. estação de São Fco Xavier) RJ
Tel.: 2502-4632 / 2273-3052, estão passando por uma situação bem precária...
Em 22.05.2007 só tinham café como refeição matinal.
São velhinhos cegos, abandonados pela família, num total de 62 senhores.
Quem puder ajudar...
NÃO É PARA DOAR DINHEIRO.
A Associação abriga 62 homens idosos, que diante da idade não conseguem mais fabricar vassouras, que com as vendas os sustentavam, passando por dificuldades, tendo inclusive o prédio que os abriga penhorado pela Caixa Econômica Federal que os ameaça de despejo, mas já foi feita reportagem noDIA para ser revertida esta situação.

Necessitam:
FEIJÃO, ARROZ, MACARRÃO, FUBÁ, ÓLEO, SAL, AÇÚCAR, LEITE EM PÓ(para tomarem os remédios), AVEIA, ACHOCOLATADOS, BISCOITOS, FRUTAS,LEGUMES, VERDURAS, MATERIAL DE HIGIENE E LIMPEZA (sabonetes/pasta de dentes/escova de dentes/ presto barba/desinfectante/cloro/papel higiênico/sabãoem pó), COBERTORES, ROUPA DE CAMA, TOALHA DE BANHO, ROUPAS p/FRIO(casacos/meias/calça comprida)

Se não puder ajudar, divulgue. Alguém poderá.
Por favor repassem esta mensagem para outras pessoas!

"O único poder que constrói um mundo de Paz, é o Amor".

publicado por LauraBM às 01:24
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10
Jul 06

avoscasal_jogging.gifPais heróis e mães rainhas do lar.
Passamos boa parte da nossa existência cultivando esses estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado,  resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça.
A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá para implicar com a empregada.
O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra?
Fizeram 80 anos.
Nossos pais envelhecem.
Ninguém havia nos preparado pra isso.
Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo:
agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam.
Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação.
Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adoptam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós...
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artigo recebido via Internet, s/autoria

publicado por LauraBM às 22:58
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R O D A P É

Sempre fica a fragrância na mão daquele que oferece uma rosa.

FRASES:

Chegou aquele momento da vida em que você já sabe:

quem é importante para você, quem nunca foi, quem não é mais e quem o será sempre.

*Antiguidades óptimas
A sair do forno
Olá somos de uma agência de viagem de Aracaju Serg...
Boa noite! Como vai de saúde? Passei por aqui e ve...
Saiba sobre os benefícios do cálcio e do potássio ...
Tal e qual como eu, sem tirar nem pôr.Só quando as...
Parabéns pelo blog, de uma leveza e bom humor incr...
E o video é exemplo disso!Bj
GOSTEI IMENSO. PARABÉNS
É só uma gracinha mas, na realidade, os idosos por...
*Algo mais sobre mim
*Meter o nariz no blog
 
* SELOS