Modernices que de nada servem para os idosos

Aliás, confina-os quando a família não tem paciência para aturá-los!

10
Set 11

Envelhecer explodindo de vida, alimentando-se do prazer.

Envelhecer com os amigos, com os vizinhos, sem importar-se muito com o dogma e a sombra do preconceito.
Envelhecer na santa paz de Deus, com a genética que Ele nos deu, envelhecer com Fé.
Fé, paciência divina, que sustenta o espírito e faz da alma um menino travesso, sapeca e feliz...
Fé de um Guerreiro e de um aprendiz.
Envelhecer com a saliva e o paladar presentes na boca, com as lágrimas banhando os olhos, com a pele bronzeada pelo sol e pela lua, envelhecer com um sorriso largo no rosto afável, envelhecer como o bem que se quis, enxergando-se à frente do nariz.
Envelhecer não é tão doloroso assim.
Para alguns é o fim do mundo, e eu me pergunto:
- O mundo tem fim?
Envelhecer é ganhar do tempo o tempo exato e lapidado para saber aproveitar, compartilhar, multiplicar todas as belezas e obras do sol nascente.
Por que a sua idade mente?
Envelhecer é fazer da abobrinha o prato do dia e do açúcar a festa de domingo.
Envelhecer é comer pela manhã, exercitar o corpo à tarde e relaxar ao anoitecer.
É ir a praia, ao mercadinho, é ver novela, é ir ao cinema, ao shopping, é estar perto do que temos direito, é ser livre, é valorizar a pátria das células, o sangue que transita nas veias, e controlar a oxidação dos tecidos.
Envelhecer é trazer no peito a medalha dos filhos, dos netos, dos bisnetos...
é ver a cegonha várias vezes por ano, milhares de vezes sobrevoando o céu.
Envelhecer é dar o colo confortável, o ombro, o abraço, o beijo apaixonado na face de um mimo querido.
Saber envelhecer é qualquer carinho!
O que são as doenças?
Elas dão na gente e não nas pedras, dizia a minha avó.
Nunca escolhe o dia mais certo ou o mais errado para chegar e nem mesmo bate a nossa porta como uma convidada exemplar.
Doença é coisa de velho... você tem certeza do que fala ou pensa???.
Cuidado com a sua crença.
O controle da mente, a vontade de existir, a mão firme mesmo que frágil, um dia menos triste, espanta qualquer vírus, nos livra da maca, do convênio e da emergência.
Envelhecer é estar de bem com as árvores, é ver o pássaro colorido, é respeitar o tempo da felicidade, é gostar-se como se gosta dos amigos.
Envelhecer é cantar, dançar, acreditar na sabedoria.
Envelhecer é algo que me anima, possui ritmo e melodia.
É experimentar prazeres e galgar descobertas.
Ah, este envelhecer transformou-se em arte, Van Gogh, Monet, Sinatra.
Envelhecer é dar bombom aos netos, é brindar a tecnologia.
Meu avô, minha avó... Velhos amados, que eu pude ter.
Estar velho, antigo, idoso seja qual for o nome dado, importa muito pouco o rótulo.
Importa muito mais a garantia de vida.
Os hormônios, a atividade física, são recursos que podemos optar sem desmerecê-los.
O sexo está no desejo e devemos a ele saciar.
Amigos, aproveitem, envelheçamos sem preconceitos,
Quero vê-los na casa dos 90 com os nossos 30, 40, 50, 60 e etc.
Quero estar onde vocês estiverem, com ou sem rugas, com ou sem cabelos brancos, mas repletos de paz e alegria!
A vida não se aprende nas cartilhas, ela está em nossas mãos!
Envelhecer exige acima de tudo perseverança e muita paixão.
--------------
Andrea Abdala
publicado por LauraBM às 00:35
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

10
Set 10

publicado por LauraBM às 18:20
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

10
Set 09

casal_idosorosa.jpgLembrei-me deles agora há pouco. Um casal idoso que cruzei na Avenida São Luís há mais de quinze anos... Neste ponto eu medito que minhas recordações começam a datar com dois dígitos e isso é um péssimo sinal...

Estou envelhecendo, e isso é surpreendente.

Foi nas proximidades da São Luís com a Consolação, no trecho morto da Consolação; eles vinham de braços dados, juntos, carregando consigo uma história de vida que seria digna de nota nos periódicos de época e pós-época. Mas era um casal anónimo e imponente. Instintivamente eu parei. Parei e abri caminho para que passassem com toda a sua majestade. Eu era um jovem com 23 anos, mas não era um estúpido, e sempre respeitei os mais velhos (quando levo mulheres mais velhas para a cama faço isso com muito respeito), me parecia justo que eu parasse e permitisse ao casal idoso que passasse por mim, em posição de sentido, respeitoso e admirado de sua existência. Foi quando o senhor me surpreendeu:
- Obrigado, cavalheiro.
- Não por isso, retorqui.

E subitamente fui soerguido à condição de cavalheiro.

Um breve gesto, irreflectido até, me tornou um cavalheiro. Sai dali enaltecido com o novo título. Enfim, cavalheiro. E procurei, com o passar dos anos, me esmerar na arte de ser um cavalheiro e ser digno disso. Abro a porta às damas, cedo a vez aos mais velhos, exijo o que é meu intempestivamente (ser cavalheiro é não ser pusilânime) e faço todo o mis'em'cene (meu Francês é péssimo) que um cavalheiro deve fazer. E mesmo assim nunca estou satisfeito comigo, triste assunto... Voltando ao casal, depois de quinze anos, acredito que já tenham partido desta terra. Se for assim, espero que tenham sido felizes até o último momento; e que o que ficou tenha podido suportar a dor e a saudade com o mesmo garbo com que passaram por mim, numa tarde iluminada, na Avenida São Luís, esquina com a Consolação, no trecho quase morto da Consolação...

E mais: Espero que, agora mesmo, eles estejam juntos, aqui do meu lado, sorrindo de alegria, por saberem que me dão um sentido a mais na vida por apenas e simplesmente passarem por mim. E se o texto é de esperanças, espero também que este possa, de alguma sorte, fazer pelo menos uma pessoa reflectir na necessidade de ser cordato com todos, para que todos sejam cordatos connosco.

Mas que nunca se confunda cordialidade com hipocrisia, e que a transparência seja a regra-mor de nossas existências...

Eu, que sei de antemão que não poderei ficar velho, apesar de estar envelhecendo,  desejo a todos, nesta noite triste, sem estrelas e sem lua, uma vida longa, repleta de prosperidade.
----------------
Claudius, el Triste

publicado por LauraBM às 20:47
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

10
Set 08

envelhescentes.GIFSe você tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue. Se você for mais novo, preste também, porque um dia vai chegar lá. E, se já passou, confira.

Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quase correcto. Esqueceram de nos dizer que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e 65), existe a ENVELHESCÊNCIA. Envelhescência nada mais é que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade.

Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente, assim da noite para o dia. Não. Antes, a envelhescência.  E, se você está em plena envelhescência,  já notou como ela é parecida com a adolescência? Coloque os óculos e veja como este nosso estágio é maravilhoso:
Assim como os adolescente, os envelhescentes também gostam de meninas de 20 anos. Os adolescentes mudam a voz. Nós, envelhescentes, também. Mudamos o nosso ritmo de falar, o nosso timbre. Os adolescentes querem falar mais rápido; os envelhescentes querem falar mais lentamente. Os adolescentes vivem a sonhar com o futuro; os envelhescentes vivem a falar do passado. Bons tempos...

Os adolescentes não tem ideia do que vai acontecer com eles daqui a vinte anos. Os envelhescentes até evitam pensar nisso. Ninguém entende os adolescentes... Ninguém entende os envelhescentes... 
Ambos são irritadiços, se enervam com pouco. Acham que já sabem de tudo e não querem palpites nas suas vidas. Às vezes, um adolescente tem um filho: é uma coisa precoce. Às vezes um envelhescente tem um filho: é uma coisa pós-coce.

Os adolescentes não entendem os adultos e acham que ninguém os entende. Nós, envelhescentes, também não os entendemos a eles. "Ninguém me entende" é uma frase típica de envelhescente. Quase todos os adolescentes acabam sentados na poltrona do dentista e no divã do analista. Os envelhescentes, também a contragosto, idem. O adolescente adora usar uns ténis e uns cabelos compridos. O envelhescente também, sem falar nos brincos. Ambos adoram deitar e acordar tarde.
O adolescente ama assistir a um show de um artista envelhescente (Caetano, Chico, Mick Jagger). O envelhescente ama assistir a um show de um artista adolescente (Rita Lee).
O adolescente faz de tudo para aprender a fumar. O envelhescente pagaria qualquer preço para deixar o vício. Ambos bebem escondido. Os adolescentes fumam maconha escondido dos pais. Os envelhescentes fumam maconha escondido dos filhos.
A adolescência vai dos dez aos vinte anos; a envelhescência vai dos 45 aos 65. Depois, sim, virá a velhice, que nada mais é que a maturidade do envelhescente. Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da envelhescência para entrar na velhice, vão dizer:
"É um eterno envelhescente"!
Que bom.
-------------------------
(não tenho dados do autor)

publicado por LauraBM às 17:54
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

04
Set 07

criancassaltarcorda.gifIsto é para nós, nascidos entre 1950 e 1970. Remanescentes da idade de ouro. Se vc não nasceu nestas épocas - antes ou depois - não importa, leia e sinta a diferença!
Não posso acreditar que fizemos isso...!!!
Olhando para trás, é duro acreditar que estejamos vivos até hoje.
Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em vidros de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos carona.
Bebíamos água direto da mangueira e nos riachos, e não da garrafa, ou em copos descartáveis. Nós gastamos horas construindo nossos carrinhos de rolimã para descer ladeira abaixo, e só então descobríamos que tínhamos esquecido dos freios. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema.
Saíamos de casa pela manhã e brincávamos o dia inteiro, só voltando quando se acendiam as luzes da rua. Ninguém podia nos localizar. Não havia telefone celular. Nós quebramos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar e processar, só a nós mesmos.
Nós tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto. A amizade continuava a mesma... Nós comemos doces e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos. Estávamos sempre ao ar livre, correndo e brincando. Compartilhamos garrafas de refrigerante, e ninguém morreu por causa disso.
Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, celular, computadores ou Internet.
Nós tivemos amigos. Nós saíamos, e os encontrávamos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine tal coisa!
Sem pedir permissão aos pais... por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel!
Sem nenhum responsável! Como fizemos isso? Nós corremos, brincamos e inventamos jogos com varas e bolas improvisadas, apanhamos do chão e comemos frutas caídas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca passamos mal, ou tivemos dor-de-barriga para sempre, ou uma contaminação fatal!
Nos jogos da escola, nem todo o mundo fazia parte do time. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a frustração... Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano... Que horror! Não inventavam testes extras nem aprovação automática.
Éramos responsáveis por nossas ações e arcávamos com as conseqüências.
Não havia ninguém que pudesse resolver por nós.
A idéia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Nossos pais protegiam mais as leis do que a nós!
Imagine!
Nossa geração produziu alguns dos melhores enfrentadores de risco, negociadores de soluções, criadores e inventores!
Os últimos 50 anos foram uma explosão descomunal de inovações e novas idéias. Foi o esplendor da criatividade humana... Foi a verdadeira Renascença da humanidade! Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com tudo isso... a VIVER, enfim!
Você é um deles. Parabéns! Repasse isto para outros que tiveram a sorte de crescer como crianças...
-----------------------------------
Artigo recebido via Internet, s/autoria

publicado por LauraBM às 21:56
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

05
Out 06

homem_ramoflores.gifEle chegou à praça com uma marreta, endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta, amarrou a muda na estaca e se afastou com o para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
- O senhor é da prefeitura?
- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
- Ah... O senhor quem plantou essa muda?
- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí, olha que beleza, já está toda enfolhada.
De tardezinha eu venho regar.
- Então o senhor gosta de plantas.
- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
- Obrigado pela parte que me cabe.
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
- O senhor é aposentado?
- Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria.
Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não encobrir a fachada da loja? É, aí fica com a loja torrando no sol.
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
- É bom pra terra, tudo que sai da terra deve voltar pra terra. Mas então. Eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo no boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Engordando e bundando. Até que acabam com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.

Cortou umas flores, fez um ramalhete:
- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada.
Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital.
Ih, a Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui na prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui.
Disseram que não, senão o povo bebe água e deixa vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuido.
Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
- Aí falei: então posso cuidar da praça mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça. Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça...
Ou antes que me fizessem encher formulário em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei.
Ta vendo aquele pinheiro fêmea ali?
A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
- Eu também não sabia, filho. Ih, aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!
- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, heim? falei olhando a pinheirinha, ainda da nossa altura; mas ele disse que não tem pressa.
- Nossa neta também é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber, né... E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí.
Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
Falei que é admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança, e ele riu:
- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso.
E agora dá licença que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar.
Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!
-----------------------------------------
Trecho de autoria de Domingos Pellegrini,
publicado na GAZETA DO POVO, de 22/05/05

publicado por LauraBM às 01:21
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
: ,

10
Set 06

maospostas_3.jpgHá horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio.
Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido.
Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afecta
indistintamente: As perdas do ser humano.
Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a protecção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta. Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói.

E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas
por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cair...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar. Por quê? Perguntamos a todos e de tudo.
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.
Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer.

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade.
Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.
Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as peles do braço da avó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto.
Estamos crescidos e nos ensinam que não devemos ser tão sinceros. E aprendemos.

E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos, seios, ganhamos pelos,
ganhamos altura, ganhamos o mundo.
Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos ah! os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos. Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo, todos nos admiram. Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade. Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas acções de modo lógico e racionalmente planejado?

E continuamos amadurecendo… 
Ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um diploma.
E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.
Mas perdemos peso!!!
Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e pregamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade.

E assim, vamos ganhando tempo, enquanto envelhecemos.
De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas),
ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos.
Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir, perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.
Não podemos deixar pra fazer algo quando estivermos morrendo.
Afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, excepto aquele que se faz em vida,
pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas,
o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a Primavera sempre chega após o Inverno, que necessita do Outono que o antecede.

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massaje.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo, mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos, se sintam amados mais do que se saibam amados.

Afinal, o que é o tempo?
Não é nada em relação a nossa grande missão.
E que missão!
Que missão? Não uma pregressa...
Mas a que você acaba de decidir tomar nas mãos!
Fique em Paz!
-----------------------------------
18/12/2002
artigo recebido via Internet, s/autoria

publicado por LauraBM às 23:28
TAGS - temas do blog
(clique em cima)
:

*Antiguidades óptimas
A sair do forno
Olá somos de uma agência de viagem de Aracaju Serg...
Boa noite! Como vai de saúde? Passei por aqui e ve...
Saiba sobre os benefícios do cálcio e do potássio ...
Tal e qual como eu, sem tirar nem pôr.Só quando as...
Parabéns pelo blog, de uma leveza e bom humor incr...
E o video é exemplo disso!Bj
GOSTEI IMENSO. PARABÉNS
É só uma gracinha mas, na realidade, os idosos por...
Mais badalados
*Algo mais sobre mim
*Meter o nariz no blog
 
* SELOS